
Fotos: Patrícia Tavares e Mariá Portugal
Queria registrar aqui a alegria imensa que foi me encontrar pela primeira vez com a dona de uma das vozes mais lindas da música brasileira: Rosa Passos. Depois de mais de uma década em perseguição a algum de seus shows - sempre que ela cantava onde eu estava, tinha show meu também - consegui vê-la no teatro da FECAP em São Paulo no comecinho de março. Pouquíssimo tempo depois nos encontramos no meu show no Espaço Brasil Telecom em Brasília. Eu tinha escrito um texto que foi publicado no Estado de Minas e no Correio Braziliense que peço licença aos editores para reproduzir aqui pois vem muito ao caso…
Ela me deu a honra de sua presença num dos shows de minha turnê e ainda foi lá me abraçar depois.
Obrigada, Rosa.
Aí vai:
SEGUINDO OS PASSOS DE UMA ROSA
Eu não me lembro exatamente quando foi mas devia ser lá pelo início dos anos 90. Eu estava ouvindo uma rádio que só toca música mais calminha quando uma voz muito aconchegante me fez parar de enxugar os pratos e me sentar à mesa. Ansiosamente esperei mais duas músicas acabarem pra poder saber quem tinha cantado de modo tão delicioso. Fiquei desapontada quando o comercial entrou direto e fiquei sem saber o nome da intérprete. Procurei o número da rádio na lista telefônica mas não consegui obter a informação que queria.
Um tempo se passou e um dia eu estava com minha banda numa visita de divulgação à mesma rádio em que tinha ouvido a voz misteriosa. Aproveitei e perguntei ao programador quem poderia ter sido. “Era uma voz assim, calma, jovem, muito boa de se ouvir. A música não era conhecida…” – tentei explicar ao moço. “Uai, pode ser um tanto de coisa…”. De cara eu disse: “um monte não, porque não se ouve uma voz boa assim a toda hora”. “Sinceramente… não sei”, ele falou me deixando mais uma vez sem pistas.
Naquele tempo não havia ainda internet. Tinha que procurar na unha mesmo. Fui a uma loja de discos que começava a vender exclusivamente CDs, formato revolucionário que hoje vê todo mundo discutindo se ele prefere ser cremado ou enterrado… Fiquei por um bom tempo na seção de cantoras. Até que um vendedor me mostrou os lançamentos de MPB mais bacanas da época e lá estava ela: Rosa Passos. Comprei e adorei! Desde então fiquei sempre atenta à ela. Comprei outros discos, vi Rosa se apresentando no Bem Brasil da TV Cultura e o que mais me dava desespero: sempre que tinha show dela em nosso país (ela tem uma carreira de grande sucesso no exterior), eu mesma tinha algum compromisso profissional.
Depois de mais de uma década sem conseguir vê-la ao vivo, finalmente numa rara noite de folga em São Paulo, depois de gravar um programa de TV, fui correndo para um teatro simpático no bairro da Liberdade e lá estava ela. Rosa fazia uma temporada dedicada à Elis Regina e eu consegui ver uma das últimas apresentações. Como fã que sou, na possibilidade de encontrá-la, levei os encartes de meus discos preferidos pra ela autografar. Sentei-me na platéia num lugar muito bom e já estava feliz em presenciar uma artista tão bela, em plena forma, num show impecável. Rosa muito à vontade no palco, cercada de um time de músicos de primeira.
Eis que de repente ela mencionou o meu nome, soube que eu estava no teatro e me ofereceu uma rosa. Meu coração bateu forte e corri ao cantinho do palco para pegar a rosa mais singela que ganhei nos últimos tempos. Uma grande honra pra mim. Assisti ao final do show segurando aquela flor e totalmente agradecida pela oportunidade do encontro.
Depois, quando Rosa foi atender os fãs, entrei na fila e finalmente dei-lhe um abraço, pedi pra tirar foto, tive meus encartes autografados e tentei lhe falar o quanto eu a achava talentosa e dona de uma voz incrível. A gente sempre se atrapalha frente aos ídolos, claro. Rosa, eu sei conversar melhor do que naquele dia, viu? Que bom que você existe com esse seu cantar afinado e macio!
O mundo precisa de mais flores assim.
21 de março de 2008
